quarta-feira, 18 de setembro de 2013

LONDRES, UM ENCONTRO E NOVAS PERSPECTIVAS

Hoje, daqui a pouquinho, estarei viajando para Londres para participar da programação do Focus Brasil Reino Unido e do Encontro de Escritores Brasileiros no Exterior.
Estou feliz? Estou, claro que estou! Mas... acima de tudo estou ansiosa. 
Tenho o hábito do encontro com muitos escritores brasileiros, a grande maioria deles residente no Brasil. São escritores como eu. Varia o tempo de "estrada", varia a idade, mas somos todos considerados "novos escritores". Nestes encontros estamos abertos a toda troca: de informações, de livros, de experiências. E estas trocas nos enriquecem muito.
Agora sigo para um encontro diferente, um encontro onde estarão escritores brasileiros que vivem e fazem literatura no exterior. Conheço alguns pessoalmente, outros de ouvir falar, outros nunca tive a oportunidade de conhecer.
E me pergunto: terão eles a mesma abertura dos escritores residentes no Brasil? Será que se consideram também, como eu, "novos escritores"? Será que estarão abertos a trocas? Minha expectativa, de tão grande, só tem uma esperança, aquela que signifique o sim.
Grande parte do que tive oportunidade de ler de brasileiros escritores residentes no exterior trata-se de literatura de memória, livros autobiográficos, onde são resgatadas, em forma de romance, crônicas ou contos, as experiências que o escritor adquiriu longe de nosso país de origem; aquilo que ele/ela vivenciou, aprendeu, sofreu, amou aqui fora. Pessoas que conheceu, saudades que compartilha nas linhas. São livros que amei ler!
Nunca consegui escrever algo assim. Tenho até um livro que se intitula Entre os Morros da Minha Infância, mas este fala de minha infância, partes das adolescência, tudo isto vivido ainda no Brasil antes de vir para a Suíça há quase vinte e quatro anos atrás. Então meu livro seria mais uma literatura de "lembranças", de "saudades". Não tem minha vivência aqui.
O que eu escrevo então? Eu que na realidade, no tête-à-tête, sou tão reservada? Eu escrevo sobre a vida. Sobre o cotidiano. Sobre emoções. Tenho já nove livros editados e distribuídos e dois em projeto. Todos eles, com exceção deste que falei há pouco, falam da vida de forma geral. Eu conto, lembro, invento, crio personagens, misturo realidade e fantasia. Falo de saudade, de solidão, de amizade, de guerras íntimas, de paixões e sonhos. 
Minha "literatura" pessoal é construída de realidade e de fantasia, é isto. 
Também misturo poesia e prosa. Não sou adepta de gêneros, sou eclética (amo falar de muitos assuntos e em vários estilos), sou prolífera (escrevo sem parar, todos os dias, várias vezes por dia). E acima de tudo amo tudo o que é feito de maneira simples, que possa ser compreendido com o coração, que não necessite milhões de explicações.
Há alguns anos atrás tive um problema de saúde sério o suficiente para tomar de mim parte de minha memória e outra parte de meu viver normal. Poderia ter sido o suficiente para desistir, mas foi, diferentemente do que a vida possa ter sugerido, apenas um novo começo.
Voltei a escrever com mais força, busquei na música e na literatura a solução para muito dos problemas de memória e segui adiante com mesma garra que me fez viver sempre. Eu não sei parar por parar. Não sei abandonar sem razão. 
Ainda me recuperando, quando criei em 2009 o Varal do Brasil, criei para encontrar pessoas que, como eu, gostassem de escrever e ler do meu jeito preferido: sem frescura. E encontrei! Centenas de pessoas nestes últimos anos que têm sido minhas companheiras na literatura sem frescura.
Hoje continuo escrevendo, lancei este ano meu nono livro solo. E tenho a alegria de poder participar de encontros como este, que me levarão a ter no coração mais pessoas e em minha bagagem literária, mais leituras que, com certeza, me farão muito feliz.

Vida é isto. Vida é entrar em contato, trocar energia, se superar e seguir, seguir sempre adiante.

É o que penso. E o que queria deixar aqui!

Até!

*Volto ao blog na segunda-feira 23 tá!

1 de papo!:

Susana Martins disse...

Isso tudo é resultado da luz que se propaga no espaço que você lindamente recria a sua maneira, através das palavras tão simples e ao mesmo tempo ímpares - genuínas...

Té Jac!

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