sexta-feira, 23 de maio de 2014

A dor que encolhe o mundo

O silêncio que se curva e me toma.
Ele vem da dor que é maior e é sintoma.
Nenhuma palavra. Nenhum som.
Nenhum olhar ou gesto com as mãos.
As mãos, aliás, as mãos... elas guardam o rosto
escondem os olhos da luz.
Nenhuma luz. Nem uma sequer.
A escuridão do nada é sugerida e querida.
Lá onde estão somente os que o silêncio não incomoda.
Nenhum remédio a mais. Nada que possa remediar verdadeiramente.
Tudo é tão intenso!
A mais simples palavra é um grito!
A única fresta de luminosidade é um sol!
Mas como em outras vezes tudo voltará ao seu normal.
Depois de algumas horas, depois de alguns dias.
Tudo voltará ao normal.
E os olhos se abrirão para o dia
e os lábios proferirão palavras
e as palavras também sairão dos dedos...
A cabeça estará livre da dor.


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