quinta-feira, 22 de maio de 2014

Depois da tempestade

Águas mansas beijam meus pés.
Elas estão assim desde o fim da tempestade, mansas e turvas.
Há poucas horas atrás, estavam à mercê da fúria.
Jogavam-se loucas sobre as pedras e a praia
levando com elas o que podiam.
Sábio o pescador que tomou distância:
Deixou o barco no porto e foi para casa,
da janela observando tudo.
Eu também vi a tempestade pela janela
e era como eu se eu de repente tivesse me permitido o impensável.
O vento, a chuva torrencial, o vento, as ruas se enchendo, o vento...
Nada mais em seu lugar.
E, como em mim, tudo depois passou.
Veio a calma dos céus e da água. O mar quase adormeceu.
Foi quando, descalça e despojada das dores de antes,
vim para a beira do mar.
Que agora, manso e belo, me molha os pés numa carícia só.


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