sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pensando alto

Me acalmo com o som das tempestades. Trovões, a chuva caindo. Fecho os olhos e quase adormeço. Faço parte da fúria dos céus.

A pressa que eu tinha aos vinte anos esvaiu-se com o tempo. Hoje tenho mais paciência, mais ciência das coisas. Assim é com todos, penso eu. A juventude abandona as asas e, já na maturidade, finca os pés com serenidade no chão. Para depois novamente resgatar as asas e voar, definitivamente, para outros horizontes.

Minha mãe, que sempre foi uma pessoa econômica e excelente cozinheira, nunca deixava as "sobras" de uma refeição sobrarem realmente... Ela reaproveitava maravilhosamente o que nem se imaginava. Fazia sopas, omeletes, empadões, uma delícia! E quando a gente perguntava "de que" era a refeição tão bem preparada a resposta era: "de tudo"! Saudades de minha mãe querida que amanhã estaria completando apenas setenta e um anos! Saudades!

Sonhos fazem parte de mim. Eles vivem em meu dia ainda mais que na noite. É que meus olhos, quando abertos, alcançam ainda mais longe o horizonte imaginário. Eu voo sem asas, eu viajo sem transporte, eu atravesso mundos sem sair do lugar. Sonhar é da minha natureza e os sonhos quando vêm junto ao sono, apenas confirmam o que desperta já descobri: eu não sou daqui!

O coração é a mente, a mente é coração. O que não for do coração mente. O que mente não vem do coração. E o coração está na mente. Não poderia ser mais racional, o coração. Cabeça que pensa, cabeça que sente. E a gente aponta para o peito, onde está o coração. Mas o coração que sente está na mente. Lá, onde ele não mente. Onde os pensamentos flutuam e esbarram com os sentimentos. Lá onde há espaço para a memória e dentro dela mora a saudade também. A cabeça que guarda tudo, esconde tudo, revela tudo. Cabeça-coração, coração-cabeça. O instinto e a razão. Tudo que se vê através do olhar e que nem sempre, nem sempre, os lábios ousam dizer.

Imagem by Temporary Peace

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