terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cansaço

De repente cansei.
Foi um cansaço assim, repentino, súbito, certeiro.
Me pegou de jeito e me jogou no chão.
De repente eu estava ali, jogada, sem ação.
Coração desacelerado, mãos ávidas, mente avessa.
Mas o cansaço já havia se instalado e tomou conta.
Era um cansaço assim: de gente, de coisas, de afazeres, de tudo...
Um cansaço banal, generalizado e total.
Cansei de seguir os desejos, de deixá-los guiar minha vida...
Cansei de dar passos e passos e passos em direção do incerto...
Cansei de esperar respostas, de esperar simplesmente...
Cansei de ir à luta, de lutar, de vencer, perder, empatar...
Cansei de ouvir os mesmos sons, as mesmas vozes, os mesmos gritos...
Cansei de ver sonhos roubados...!
Consumida pela agonia, pedaços da vida desgastados...
Cansei.
Cansei e fiquei sem vontade sequer de explicar o cansaço.
A fatiga é em si mesma um remédio.
Extenuação.. exaustão... As partes exauridas da gente que quase morrem...
Cansei. Tomei canseira até das coisas mais simples...
Lassidão...
Cansei.
Agora, ainda prostrada no chão, observo o céu.
Ele é belo, realmente infinito, azul cheio de brancas nuvens de algodão.
Observo o céu até que ele anoiteça, não tenha mais nuvens
e acolha a lua, as estrelas longínquas e as cores mortas
que a falta de claridade traz.
Com tudo o que observo recarrego as energias perdidas no cansaço...
Lentamente, lentamente, lenta... lenta... mente... me refaço.
Mas de tudo o que cansei não quero mais saber.
Eu reparto a vida em duas: antes e depois do cansaço.
E parto para um novo universo.


Imagem by Melody Weightman

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