quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A nuvem de mim


Uma nuvem hoje passou sobre minha cabeça.
Não uma nuvem branca, clara, daquelas que decoram o céu.
Era uma nuvem quase escura...
Cheia d'água roubada descaradamente de mares e rios.
Engolia a chuva a seco com vontade de inundar tudo...
e desabava seu peso sobre minha cabeça
minha cabeça já cansada de outras coisas...
coisas que eu só queria esquecer, deixar pra lá, nunca mais lembrar!
Mas a nuvem não passou em branco.
Choveu sobre mim suas agonias e espantos.
Largou sobre mim seus medos...
Descarregou sobre mim suas ansiedades acumuladas.
Então entristeci. Por um instante, entristeci.
Como se o peso das gotas fosse bem mais
do que eu poderia suportar.
Doeram os ombros, os olhos marejaram, o estômago fez-se um nó só.
Eu queria fugir da nuvem, mas ela me acompanhava tenaz...
Queria me pertencer.
Emoções à parte, meu coração de verdade nunca foi de pedra...
Eu é que mentia para o mundo. Eu que fingia.
E suportar o desgosto foi tão duro!
Mas sujeitei-me àquela nuvem, deixei-a encharcar meu teto e meu chão.
Alagar meu âmago, transbordar de mim.
Fiquei ali com ela até sentir que não seria mais possível sobreviver.
Então me levantei. Ergui as mãos e com elas afastei a nuvem...
Meus olhos puseram-se a chover por ela, por mim, por tudo.
Mas o sol já brilhava sobre o meu pequeno mundo!

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