segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A PRISÃO DAS CONVERSAS ATUAIS


É complicado opinar hoje em dia. Muito complicado. Um pouco mais para um lado ou para o outro e você é chamado de tanta coisa, rotulado de outras, classificado, enterrado. Ultrapassamos há muito o tempo em que podíamos dar uma opinião sobre um assunto e, em retorno, ter uma saudável discussão onde aprendíamos com o outro, entendo que pontos de vista, apesar de algumas vezes serem até mesmo opostos, podem se completar.
Hoje em dia nos perdemos sob o manto do politicamente correto (falo do extremo politicamente correto e não do respeito que devemos a outrem!). Nos perdemos na classificação prematura da opinião alheia sem usar o tempo para compreender a importância da diversidade de opiniões.
Fugimos da conversa que poderia nos levar a algo mais profundo, usando subterfúgios. Desviamos de um papo engrandecedor para ir por caminhos mais conhecidos e menos dignos. A rigidez de espírito tomou conta!
Hoje, aquele que opina está exposto, acima de tudo, a classificações como racista, pessoa de direita (ou de esquerda), qualquer coisa fóbico e assim por diante. Não há espaço para a crítica construtiva. Não há lugar para o ouvido sincero, o qual, mais do que amigo, era antes um ouvido de alguém que daria, em retorno, também sua opinião, mesmo que divergente da que escutara.
Muito complicado opinar. Muito! Quem opina hoje, principalmente por escrito, expõe-se de uma maneira tão grande, que não há retorno. Opinião virou sinônimo de alegação, na maioria das vezes, criminosa. E as pessoas ao invés de discutir a opinião, estão judicialmente processando. Vezes e vezes sem sequer entendê-la.
É uma pena tudo isto. Pena que não possamos mais, nem numa roda de amigos, ser sinceros ao ponto de discorrer sobre assuntos considerados delicados e sair desta mesma discussão ilesos.
Antes colocava-se um assunto em evidência e "desfiava-se" o mesmo numa troca rica de opiniões. Hoje traz-se uma assunto à mesa (ou ao jornal, blog, etc..) e recebe-se as mais duras críticas e os mais ferrenhos rótulos.
Esperemos que o mundo dê suas voltas e, numa delas, faça retornar o bom senso. Com respeito sempre, é claro. Com educação sempre também. Mas com a liberdade que foi aos poucos desaparecendo das conversas.

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